Patriotismo? Eleições presidenciais? Sustentabilidade?
Consumismo! Hexacampeonato!
É incrível como o povo brasileiro - digo de forma geral - , mesmo o mais crítico, se torna tão fiel ao seu país em tempos de Copa do Mundo; fidelidade essa que não se conta por serviços prestados ou honras ao mérito mas sim, pela quantidade de produtos brazucas que possuem.
Roupas, cosméticos, adornos, bijuterias e até mesmo móveis em verde e amarelo se tornam itens indispensáveis para quem deseja demonstrar o seu amor incondicional a sua 'pátria mãe gentil'.
Produtos novos chegam às prateleiras, promoções imperdíveis são realizadas, grandes operadoras de telefonia celular se unem e disponibilizam gratuitamente o "hino da torcida" para seus usuários, vizinhos pintam as ruas e a cara, candidatos a cargos públicos distribuem bugigangas e a roda da economia gira em ritmo acelerado e em torno do mundial futebolístico.
Não digo que todo esse up na economia seja um câncer, o país precisa de consumidores, de compradores, revendedores; se faz necessária toda essa movimentação de capital, mas, será que toda essa afobação e essa ânsia pelo hexa é cem por cento positiva?
Todo o patriotismo gerado pela atmosfera do mundial é destinado, apenas, aos bens de consumo.
Não se vê ninguém por ai preocupado com a carga-horária danificada das escolas que fecham as portas ou liberam os alunos mais cedo para assistirem aos jogos da seleção; ou ainda, quem se preocupe com o bom funcionamento dos serviços e obras públicas nos dias em que toda a sua concentração está em torcer contra a seleção Argentina.
Estamos em um ano de eleição, dificilmente você lembrará do político corrupto que saiu nas manchetes dos jornais, mas com certeza vai saber o nome, o número ou a legenda do partido do candidato a vereador que colocou um telão na praça no dia daquele jogo decisivo.
Claro, por que pensar em algo que está ainda tão distante? A Copa está aí! O hexa está, mais uma vez, batendo à porta! O que importa se o candidato "X" à presidência foi investigado por uma CPI se o Robinho fez um passe tão incrível no jogo de hoje?
Se somos "quase duzentos milhões em ação", porque não nos preocupar em livrar o país da desigualdade social em vez de "salvar a seleção"?
O que falta ao brasileiro é um pouquinho de altruísmo, enquanto sobra comodidade.
Mas afinal, porque lutar por um ideal se é possível resolver tudo e qualquer coisa com o famigerado "jeitinho brasileiro"?
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